Quem caminha pelo centro de Santa Teresa esbarra em italiano em quase toda esquina — não no idioma falado no dia a dia, mas nos sobrenomes nas fachadas, nas receitas dos cardápios, no jeito de receber visita. Com uma população majoritariamente descendente de imigrantes do norte da Itália, a cidade carrega esse traço como identidade, não como enfeite: em 2017, uma lei estadual (nº 10.661) reconheceu Santa Teresa como Capital Estadual da Gastronomia Italiana, título que se sente à mesa em pratos como agnoline, risoto, ravióli, capeletti e polenta, servidos lado a lado com a herança pomerana de pães como o Milchbrot e o Streusel Kuchen.
A cidade também carrega outro título que poucos esperariam de uma cidade serrana do interior capixaba: Capital Estadual do Jazz e do Blues (Lei nº 10.038/2013). O calendário cultural reflete essa dupla identidade — de um lado, festas de colônia e celebrações religiosas como a Buonna Pasqua e a Festa do Imigrante Italiano; do outro, eventos como o Festival Internacional de Jazz e Bossa e o Santa Jazz, que trazem música para as ruas da cidade em pleno inverno serrano.
O símbolo mais visível dessa relação entre cultura e natureza é o beija-flor: reconhecido oficialmente como símbolo do município em 2013, o colibri celebra o filho mais famoso da cidade, o naturalista Augusto Ruschi, que fez de Santa Teresa a referência mundial em estudo de beija-flores e orquídeas. Seu legado é hoje um dos principais pontos de visita da cidade: o Museu de Biologia Professor Mello Leitão, que ele fundou em 1949 e hoje reúne a maior coleção ornitológica do estado, foi incorporado ao patrimônio nacional (IPHAN) em 1984. Fica ao lado da Praça Augusto Ruschi, no coração da cidade — e é parada obrigatória para quem quer entender por que Santa Teresa é, até hoje, sinônimo de Mata Atlântica preservada.
A vida cultural da cidade também acontece fora dos museus e das datas comemorativas: a Rua do Lazer, com seus casarões do fim do século XIX e início do XX, funciona como ponto de encontro informal — o tipo de lugar que resume bem o espírito de Santa Teresa, entre a preservação da memória e a vida cotidiana em volta dela.